Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



METÁFORA DAS LÁGRIMAS QUE NUNCA CHORAREI

Quarta-feira, 02.02.11

 

Vejo-as

Nitidamente recortadas

No aço frio da silhueta matinal


Trazem

A pureza anímica das aves

Ao momento em que caem

Pulsando

Suavemente

Na tensão superficial

Das águas desse imaginário


Não sei quantas são

Mas são

E basta-me a certeza de as ver

Não sei quantas,

Não sei porquê,

Nem sei exactamente quando,

Na mais lenta queda

Que os olhos me puderem recriar


Depois deixo de as ver

E o lago,

Desinventado,

Dilui-se nas lágrimas que nunca chorarei

 

 

 


Maria João Brito de Sousa – 01.02.2011 – 18.45h

 

 

IMAGEM - Tela de Vincent Van Gogh - retirado da internet

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por poetaporkedeusker às 11:56


8 comentários

De averse a 02.02.2011 às 14:46

Adorei este!!!

De poetaporkedeusker a 02.02.2011 às 14:59

:) Obrigada, Averse! A imagem que escolhi para ele é que é uma verdadeira maravilha!

De averse a 02.02.2011 às 15:19

sem duvida!, mas este poema é muito bom.

ps.: entenda-se por muito bom aquilo que eu leio e adoro, temos que levar em linha de conta que sou mesmo leigo na matéria :D

De poetaporkedeusker a 02.02.2011 às 15:38

:)) Não faz mal, Averse! Também gosto muito de apreciar aquelas coisas em que sou leiga de todo! Acabo de visitar um link sobre um grande compositor e acordeonista argentino que eu desconhecia de todo e uma amiga me disponibilizou porque eu o confessei sem pudores... também é muito importante "sentir" as coisas. Quando eu comecei esta "avalanche" de sonetos clássicos - refiro-me ao Poetaporkedeusker, claro - pouco mais sabia sobre soneto do que aquilo que toda a gente jovem da década de sessenta aprendia no liceu... claro que tinha aquela enorme vantagem de ter crescido ao lado de um grande poeta, mas o meu avô nem era um grande amante do soneto clássico... que grande discurso! :))
Abraço!

De averse a 02.02.2011 às 16:18

penso que é um pouco isso, gostamos muito daquelas coisas que nos fazem sentir.
E agora até já posso dizer que sei (mais ou menos) o que é um soneto clássico :D :D
Abraço

De poetaporkedeusker a 02.02.2011 às 17:38

:))! É mais complicado do que parece e menos do que o concebemos quando sabemos as regras exactas... como hei-de explicar... é como a Coca Cola! :)) Primeiro estranha-se e depois entranha-se!:))
Pelo menos, em mim, entranhou-se de tal maneira que acho que já faz parte de mim... a maior parte de mim, muito provavelmente ;)
Abraço!

De artesaoocioso a 24.02.2011 às 17:34

Uma renovação de cinco estrelas.
As linhas do Metro são um achado.
Contra ventos e marés em grande forma.
Invejo essa coragem e determinação.
Um grande abraço.

De poetaporkedeusker a 24.02.2011 às 17:50

Muito obrigada meu amigo! Estive na sua página do Facebook e deixei-lhe uma mensagem. Este é o blog que destino `a poesia não rimada, mas agradeço de qualquer forma! :) O dos sonetos ainda está muito, muito longe de estar revisto... nem sei se terei força e coragem para isso... teimosia, vou tendo... no outro, só vou em Fevereiro de 2008 e há três dias que não consigo fazer revisão de jeito... mas vou fazendo!
Muitíssimo obrigada pelo seu abraço de ânimo! Outro para si!

Comentar post








comentários recentes




Libertadores :)


View My Stats