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CONTRA-DICÇÃO

Quarta-feira, 08.04.09

Como pode ele sorrir se a terra treme

E há crianças violadas na esquina dos medos?

Como pode nascer-lhe a gargalhada

Sobre a lucidez trémula do peito?

 

Como pode, sequer, esboçar o sonho

Se lhe semearam, no patamar dos olhos,

Pedaços de irmãos dispersos como folhas?

 

Como pode ainda ver, se lhe encheram os pulmões

Do acre das tragédias gratuitas pintadas de doce?

 

Como pode?...

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:13


10 comentários

De manu a 08.04.2009 às 18:14

Olá poetisa! A amiga não pára! Mais um blog para gaúdio da poesia. Já sabe com quem vai ter de contar aqui... Abraço.

De Maria João Brito de Sousa a 08.04.2009 às 21:41

Olá Manu! é sempre nestas alturas de Páscoa e Primavera que eu me torno mais criativa... e também não queria partir e ficar só associada ao soneto... por muito grande que seja a minha paixão por ele, sei que seria redutor não mostrar os meus "outros lados poéticos"...
Abraço grande e obrigada!

De Fisga a 08.04.2009 às 18:52

Olha minha amiga. Eu não sei o que dizer. Mas tu tens fogo dentro de ti, posso saber se tu ainda precisas de cama? Tu és uma linda, mas se te disserem que alguém te inveja, ficas sabendo que pode ser toda a gente menos eu. Ou será que já ensinaste informática aos gatos e aos cães? Olha para quem não sabia o que dizer, sempre se arranjou meia dúzia de asneiras. Abraço deste teu amigo Eduardo.

De Maria João Brito de Sousa a 08.04.2009 às 21:54

Mas eu sei lá alguma coisa de informática, amigo?! Os cães e os gatos não devem saber muito menos do que eu... inveja??? Desta vidinha que eu levo??? De tantas dificuldades materiais, assim??? Nos tempos que correm só um louco muito mais louco do que eu poderia invejar-me! Se soubessem mesmo, mesmo o altíssimo preço que se paga por algum talento, decerto fugiriam do talento... :)
Abração!

De Fisga a 09.04.2009 às 10:55

O talento paga-se sempre caro, mas dá muito jeitinho para certas coisas. Por isso tu já pagaste e agora estás a gozar o rendimento que o talento te dá. não serve para ir à mercearia, mas nem só de pão vive o homem. Abraço deste amigo Eduardo.

De Maria João Brito de Sousa a 09.04.2009 às 13:32

Todos morremos um dia, amigo, pelo menos extinguimo-nos fisicamente, e eu sinto-me uma privilegiada por poder sentir que vou morrer tendo cumprido o que me competia, apesar do preço.
Um abraço grande!

De Fisga a 11.04.2009 às 12:58

É o prazer e a alegria pelo dever cumprido. como eu te entendo. amiga. Um grande abraço. Eduardo.

De Maria João Brito de Sousa a 11.04.2009 às 13:38

É mesmo, amigo. É isso que eu sinto e se disser que não, estarei a enganar-me a mim mesma e aos outros.
Abraço amigo.

De linhaseletras a 08.04.2009 às 20:53

Pois é! Sempre ideias novas e belas, vou ser leitora assídua por todas as razões e mais uma, quero aprender mais sobre Poesia.
E agora a resposta ás suas perguntas
"ELE sorri" porque tem esperança que as coisas más mudem e as coisas boas vençam , e o Mundo passe a ser melhor, eu também vivo com essa esperança, mas sei que isto é ser optimista em demasia, mas como a esperança é a ultima a morrer eu vou vivendo com Ela.
Um abraço

De Maria João Brito de Sousa a 08.04.2009 às 21:49

Obrigada pela sua visita, amiga Idalina.
ELE sorri, sim. Sorri por toda essa esperança de que fala e que é a minha, também.
Um grande, grande abraço!

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