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EVIDENTEMENTE...

Terça-feira, 13.07.10

 

Bastar-nos-á entretê-lo

De quando em vez

Com um prato de lentilhas

E meia dúzia de palmas ensaiadas.


Será quanto baste

Pois é louco, o pobre…


Como poderia não o ser

Se foi sua a escolha de sobreviver

No limbo do humano conforto?


Por isso

Nos bastará entretê-lo

Na mansidão do seu imaginário

Antes que acorde…

Antes que rosne

E possamos descobrir

Que os pobres somos nós

E que o limbo

É esta dependência

Dos humanos recursos que nos movem

Enquanto regurgitamos

Certezas

E sentenças

Que, evidentemente,

Serão sempre as mais correctas


Evidentemente!

 


Maria João Brito de Sousa

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 16:37


2 comentários

De M.Luísa Adães a 13.07.2010 às 17:28

Só a imagem na gaiola me impressionou e muito.

Está presa e se estivesse fora da prisão? A matavam, ou se matava, mas me arrepia falar no assunto.
Vem a fobia!

Mª. Luísa

De Maria João Brito de Sousa a 14.07.2010 às 14:49

Não fiques impressionada, Maria Luísa. Esta é uma história muito recente e que acabou muito bem! O pombinho da gaiola, neste momento, já voa livre e feliz no campinho dos pinheiros grandes, junto à Igreja de Sto. António, a poucos metros do sítio onde agora estou. Esteve em minha casa, dentro da gaiola, porque estava mais morto do que vivo, depois de ter sido atacado por um cão. Mas só uma patinha ficou, realmente, inutilizada; este foi um felizardo pois conseguiu encontrar-me quando agonizava e eu tratei dele até ficar gordinho e completamente restabelecido. Eu dou muito valor a todos os tipos de vida, tal como tu. Este recebeu tratamento, água e alimentação até poder retonmar o uso das asas. Foi muito bonito e, embora me tivesse dado trabalho tratar dele, fiquei muitíssimo feliz quando me comecei a aperceber de que se iria salvar!
Bjo!

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