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ABUTRES E BEIJA-FLORES

Segunda-feira, 30.08.10

 

Via-os por ali

Hilariantes,

Patéticos fantasmas de abutres

Babando-se de incontida curiosidade


Via-os

Quando se dava ao trabalho de olhar,

Se se dava ao trabalho de olhar


Inacreditáveis somatórios

De infortúnio e pobreza

Muito bem vestidos,

Muito míopes,

Muito desequilibrados,

Muito bêbados

Muito opinativos

E muito pouco inteligentes


Umas vezes

Irritavam-no,

Noutras

Enchiam-no de pena


Alguns,

Mais puros

Do que o bando comum

Pousavam devagarinho

E ficavam

Na imobilidade nervosa

Da sua timidez.


Pequenos beija-flores

Que não chegavam

A beijar coisa nenhuma,

Raros,

Silenciosos,

Bem-intencionados

E belos


Na esmagadora maioria

Dos dias

Nem sequer os via

Muito embora por lá continuassem

Simulando

Uma indiferença

Que só a ele

Legitimamente pertencia.

 


Maria João Brito de Sousa – 29.08.2010 – 01.54hs

 

 

IMAGEM - Stuart Carvalhais

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publicado por poetaporkedeusker às 12:41


4 comentários

De FatimaSoares a 30.08.2010 às 13:59

Olá minha amiga. Aqui está um poema tb ao meu gosto e ao meu modo. Que não rimo só de quando em vez e nem de longe como tu maria João. Adorei. Quanta coisa subentendida quanta magia poética. Bjs amiga.

De poetaporkedeusker a 30.08.2010 às 14:50

Aqui, Fatima, garanto que há mesmo muita, muitíssima coisa subentendida:)) Nada, aqui, foi feito por acaso, ao contrário da maioria dos meus sonetos.
Abraço grande!

De Simbologia do aMoR a 30.08.2010 às 19:55

Ah esse beija-flores...
Que se ausenta noite e dia
Esquecem do nectar da flor
Que lhe dão durante o dia.
(risos)

Abraço.

De poetaporkedeusker a 31.08.2010 às 11:30

Abraço, amiga!
Reparaste na imagem? É um desenho do Stuart Carvalhais. O meu pai era um fã incondicional das caricaturas deste artista. É um marco da caricatura portuguesa da primeira metade do séc XX.
Abraço grande!

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