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PARA QUE CONSTE

Segunda-feira, 25.10.10

 

Para que conste;


Eu tenho veias, carne

E sonhos como os vossos

Mas jamais escreverei

Sobre estrelas

Que não tenha conhecido desde sempre


Um longo esteio de velas desfraldadas

Nos murmúrios de um imaginário-racional

Precede o olhar com que contemplo o mundo

Para vo-lo devolver um pouco menos mau


Não aceito,

Para que conste,

Que um único de vós me acuse de um ócio

Engendrado por mentes saciadas

[muito embora inconscientes

da sua futilidade]


Para que conste,

Produzo

Tanto ou mais

Do que as mãos de outro qualquer

E consumo

Invariavelmente menos

Do que o corpo ou a mente

Da maioria de vós


Para que conste,

Por vezes as tardes doem-me

Como folhas de Outono

No mármore do tempo

Mas nenhum medo me conquista o estro

Enquanto acreditar


[PARA QUE CONSTE]

 


Maria João Brito de Sousa – 23.10.2010 – 23.14h

 

 

Na fotografia - Eu, ao colo da Aurorinha.

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:37


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