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PORTO POSSÍVEL

Segunda-feira, 15.11.10

 

Sou porto incerto,

Apelo que subverte e que redime

O que em vós dorme agora e que é sublime,

Tudo o que esteja longe

De estar perto

 

Sou a vontade,

Sou aquilo que resta aos vossos sonhos

Quando os dias parecem tão medonhos

Que só podeis sonhar

Com liberdade

 

 

Recuso tudo

A não ser a certeza da recusa,

Subverto mesmo a cor da vossa musa,

Transformo até o som do vosso canto

Num grito mudo

 

 

Sou como a fome

Que em crescendo vos torna insatisfeitos,

A voz que vos sussurra os mil direitos

Que mais tarde imporeis

A quem vos dome

 

 

Eu, intangível,

Liberto das vogais, das consoantes,

Primitivo, indomável como dantes,

Sou sede que se nega e depois grita:

 

-Eu sou possível!

 

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 14.11.2010 – 20.13h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:21








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