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HOJE NÃO É PARA TI

Quarta-feira, 05.01.11

 

Não, não é para ti

Que teço estas vogais e consoantes

Nos intervalos da respiração das sílabas

Nem para ti

Os silêncios compassados

Por ditongos musicais


Nunca para ti

Que perscrutas a mole humana

Com a vontade gélida

Das ferramentas de laboratório,

Com os ouvidos infalíveis do diapasão,

Com os olhos vítreos do microscópio


Hoje escrevo para os que virão,

Para os que todos adivinhamos

Mas não podemos ainda dissecar

Porque se conjugam num tempo

Que está por nascer


Hoje não trago palavras;

Só a certeza

De que a preocupação

Com a excessiva proporcionalidade

Conduz à pobreza do kitsch

 


… e isso nunca foi para mim

 

 


Maria João Brito de Sousa -04.01.2011 -23.11h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:55


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