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PRONTO-A-COMER

Terça-feira, 26.04.11

 

Quando o dedo do tédio

me aponta as entranhas das coisas vazias,

esquivo-me ao derradeiro anzol

e devoro poesia.

 

Há sempre uma vertigem

quando a refeição

é um vislumbre de saudade

que agarro, tempero

mordo e saboreio

em gestos competentes,

convergindo na degustação das rimas

tantas vezes bravas,

amargas e ásperas,

colhidas nas margens do acaso,

sem forma, sem textura,

a saltar da previsível marinada da reflexão

para a combustão inevitável

da mastigação do primeiro texto que  me seduza

sobre a bandeja da fome imperativa

 


prato-poema

 

 …ou  rábula de um tédio

que nunca assombrará

as entranhas vazias

de uma saudade-coisa-aprisionada

por anzóis que a impedirão de ser provada

antes da assimilação do último dos versos

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 24.04.2011 – 17.48h

  

 

 

Imagem retirada da internet

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 17:18


4 comentários

De Simbologia do aMoR a 27.04.2011 às 04:28

Eu, mesmo com coisas prontas a comer... não posso comer! Sendo assim, é melhor comer e saborear poesia.


Ps. Estou na dieta.... sem frutas, sem alimentos a base de farinha, sem doces, sem arroz, sem feijão! Ah..... É difícil, mas vou chegar lá... onde o peso abaixar.

Abraço.

De Maria João Brito de Sousa a 27.04.2011 às 10:49

Cuidado com essas dietas, Vera! Às vezes as pessoas tendem a exagerar e não ingerem nutrientes que são absolutamente essenciais...
Bjo!

De PaperLife a 29.04.2011 às 19:00

Já fiquei contente por ter passado pelo meu blog :) Agradeço o gesto :D

E adorei o poeta :D
(o tempo hoje realmente está horrível :/ )

De Maria João Brito de Sousa a 02.05.2011 às 11:20

Esteve terrível, PaperLife! Eu sempre gostei muito de trovoadas... devo ter herdado isso do meu avô que "se pelava" por poder admirar uns bons raios riscando o céu... mas aquela granizada que inundou Lisboa já foi perigosa e trouxe imensos prejuízos materiais. Acabei por fazer um poema sobre isso, mas saiu-me em redondilhas e vai para o Montanhas, daqui a pouquinho :) Devo confessar que estava muito satisfeita enquanto ia narrando as minhas reflexões sobre a trovoada, mas acabei por achar que o poema estava a sair-me demasiado descritivo e rematei de uma forma muito pouco ortodoxa...
Vou tentar voltar aí! :D
Abraço grande!

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