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NESSE DIA

Sexta-feira, 01.07.11

Nesse dia não houve mais medos

no palco do sonho

e todos amanhecemos

na dimensão da esperança

 

Nenhum de nós

fugiu ao alheio olhar,

nem os braços hesitaram no desconforto da dúvida

ou os lábios silenciaram o grito

neste país então vestido de canções,

aberto à construção da vontade de todos

vermelha,

tão vermelha no seu despontar…

 

nesse dia

então extasiado

- ele e nós extasiados,

tão extasiados da liberdade conquistada… -

clareou um céu cheio de abraços

por detrás de todas as grades,

na voz de todos os amigos silenciados

e, acima de tudo,

 

foi o cravo a desenhar os sonhos,

a erguer-se nas armas e nas mãos,

a tomar conta das veias das ruas,

a derramar-se num Tejo em maré alta,

a escapulir-se Atlântico afora,

 

Até sempre, até todos os dias por chegar!

 

E foi inevitável o vermelho

dos amanhãs  desse dia

hoje naufragado em alheio mar,

despido de sonho, veias e vontade,

numa jangada incolor, de remos obedientes

a um leme que treme sob o olhar de uns.poucos.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:02








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