Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



DIAS

Sábado, 11.04.09

Despenham-se na acidez das manhãs

Íngremes e imprevisíveis

Como as águas de Abril,

Abreviando-se, depois, em amarelos claros.

Vejo-os na semi-lucidez do acordar,

Antes da lenta queda

Do elevador singular e intermitente.

 

Voltam, depois,

Suspensos no mel

Dos olhos dos gatos omnipresentes

E dispersam-se por todos os nenhuns lugares

Com urgências de pólenes ao vento.

 

Caem, por vezes,

Como inexistentes pedras

No interior das confortáveis ausências

Que se sublimam em alegres, subversivas criações.

 

Prolongam-se na comunicação

Em gargalhadas

Ou na raridade das lágrimas

[conforme o sumo das alheias horas]

Na mesa concêntrica onde se cozinham percursos

Enquanto se bebem demorados cafés.

 

Continuam, sempre,

Até irem soçobrando, a oeste de mim,

No azul líquido que se escurece de luminosidades artificiais

E morrem, inevitavelmente,

No momento pendular de todas as renúncias.

 

Renascerão mais tarde,

Na subtracção das horas somadas,

Um a um,

Num sopro súbito de permanência consentida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:06


10 comentários

Comentar post








comentários recentes