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METÁFORA - O Manifesto

Segunda-feira, 03.09.12

Eu digo-te

que o sol floresce limpo

sobre o estrume das aparências

e que as palavras são casas nas cidades da voz

 

digo-te

que as ruas são mãos a repousar,

que as coisas de pedra são canções

e que as canções são luas, de tão brancas…

 

dir-te-ei,

vez por outra,

que as plantas são mulheres e homens

cansados da colheita improvável,

que os dias – todos eles –

são movimento,

que as noites são o esconderijo

dos sonhos à espera de acordar

e que os muros são pontes entre agora e depois

 

falar-te-ei de passos sem distância,

de espaços sem medida,

de memórias sem tempo

e de gente sem medo de morrer,

mas jamais me ouvirás falar de renúncia

enquanto o murmúrio me for permitido

na cidade da voz libertada

 

Também a metáfora se come, se bebe

e não sabe render-se enquanto viva

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 03.09.2012 – 18.12h



Imagem retirada do jornal "Avante!" - Guernica, Pablo Picasso

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 19:07


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