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SOLIDÃO

Terça-feira, 20.07.10

 

Fecho-me em solidão.

Sei lá porquê!

Há dias em que o céu me sabe a pouco

E as ondas salgadas

Não fazem outro sentido

Que não esse mesmo sentido

De serem ondas

E serem salgadas.

 

A velha e doce solidão

Tem a vantagem

De estar sempre à disposição

Das minhas indigestões de quotidiano

E abre

Cortesmente

A porta

Às pequenas alegrias

Que virão mais tarde …

 

Além do mais,

Quem disse que a solidão

- essa que dizem, magoa… -

Poderia existir

Depois dos poemas que ainda não morreram?

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 19.07.2010 – 19.47h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:06

MAIS LONGE

Segunda-feira, 19.07.10

 

 

Ele há lá canto

E voz e fogo ou estrada

Que alcancem o que alcança

Um simples sonho!

 


 


É                           A meta

Exactamente         Essa

Essa                      Exactamente

A meta                  É

 

 


Nunca tinhas reparado?

 

 


Maria João Brito de Sousa

 

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:19

EVIDENTEMENTE...

Terça-feira, 13.07.10

 

Bastar-nos-á entretê-lo

De quando em vez

Com um prato de lentilhas

E meia dúzia de palmas ensaiadas.


Será quanto baste

Pois é louco, o pobre…


Como poderia não o ser

Se foi sua a escolha de sobreviver

No limbo do humano conforto?


Por isso

Nos bastará entretê-lo

Na mansidão do seu imaginário

Antes que acorde…

Antes que rosne

E possamos descobrir

Que os pobres somos nós

E que o limbo

É esta dependência

Dos humanos recursos que nos movem

Enquanto regurgitamos

Certezas

E sentenças

Que, evidentemente,

Serão sempre as mais correctas


Evidentemente!

 


Maria João Brito de Sousa

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 16:37

NÃO TENHO MEDO DO TEMPO!

Segunda-feira, 12.07.10

 

Não tenho medo do tempo

Porque o tempo recomeça

Sempre que bem lhe apeteça

Sem que ninguém o impeça!

 

 

Portanto digo;

 

 

“Se abrando,

Ficam-me as horas trocadas,

Fica tudo às três pancadas

E perco tempo…

Lamento;

Tenho pressa, muita pressa

E nenhum medo do tempo!”

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 11.07.2010 – 20.59h

 

 

 

 

 

 

IMAGEM - Pormenor de uma tela de Salvador Dali (retirado da internet)

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:18

O HOMEM QUE, URGENTEMENTE, PRECISAVA DE COORDENADAS

Segunda-feira, 05.07.10

 

Coordenadas

Dêem-lhe coordenadas

Antes que se perca

Ou antes que o mundo

O perca a ele

 

Apontem-lhe caminhos,

Forneçam-lhe bússolas,

Relógios,

Sinais de trânsito

E amores

Daqueles que se vendem

E se regateiam

 

Mas, antes de mais,

Forneçam-lhe as tais coordenadas

Não vá

Evaporar-se no ar,

Dissolver-se nos rios,

Sublimar-se no éter

 

Sem que alguém tenha,

Pelo menos,

Tentado mantê-lo uno,

Dentro

Do convenientíssimo invólucro

Que alguém se esqueceu de selar…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.07.2010 -23.49h

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 10:52








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