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LÁ LONGE...

Segunda-feira, 27.09.10

 

 

Porque lá longe,

Aonde nunca os via,

Eram meras silhuetas esfumáveis

Ao mais pequeno sopro da vontade


Aí, aonde perfeitamente

O presente os colocara

Talvez viessem a poder salvar-se

De serem contemplados

Com os olhos lúcidos

De uma inevitável avaliação


Execrava

Qualquer tipo de manipulação

Abominava

Todas as duplicidades

De que os fracos necessitam

Para poderem sentir-se fortes

[mesmo que nunca o reconheçam

e se acreditem bem intencionados]


Por isso,

Lá longe,

Onde a sua piedade os colocara

Seria sempre

O único local possível

Para os proteger

Da sua própria estupidez

Segundo o olhar implacável

Da lucidez de um julgamento imparcial

 

 


Maria João Brito de Sousa – 26.09.2010 – 12.35h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:56

OS VERSOS IMPROVÁVEIS

Quinta-feira, 23.09.10

 

 

Hoje, alquebrada,

Parti perdidamente à descoberta

De um sonho por sonhar

Noutro universo;

 

 

Eram duas ou três aves sem rumo

Na margem da cidade por esculpir,

Duas ou três colinas seminuas,

Duas ou três vontades mal esboçadas

E um canto muito ao longe

A pedir vozes

 

 

Eram duas ou três cordas de estopa

Nos braços da figueira urgente e tosca,

Duas ou três mentiras renegadas,

Duas ou três mil nuvens por chover

E a jangada a afundar-se

Sem memórias

 

Derrotada

Aonde perfeitamente me inventei

Tentei reformular-me

No dealbar dos versos improváveis

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:25








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