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CADA ÁTOMO DE MIM

Segunda-feira, 31.01.11

 

Cada tábua que piso

Nesta toca,

Cada silêncio que reconquistei,

Cada parede à beira do abismo

Destas mãos na loucura de voar,

Cada lágrima

Em mim jamais chorada

Irrompendo num verso interrompido,

Cada átomo de mim

Neste pulsar…

 


Cá dentro é para mim,

O resto é teu!

 

 


Maria João Brito de Sousa– 29.01.2011 – 22.33h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 16:42

SEM TÍTULO

Segunda-feira, 24.01.11

 

Bebeu da fonte de outro medo

Esse menino

Que uma outra mãe

Pariu e embalou

Na teia azul, metálico segredo

 

Vive por um fio

Por um fio mataria

 

Toque-se o fio,

Vislumbre-se o segredo

E a teia azul transmuta-se em casulo

 

Assustado, confuso,

Cronos passa por ele sem o notar

 

Tagarelam os anjos noutro altar

E nem a Primavera o apontaria a dedo

 

Bebeu, colado à teia,

Bebeu do fio

Da fonte de outro medo

 

 

 

Maria joão Brito de Sousa - 1999

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:49

GUARDAR AS LUAS

Sexta-feira, 07.01.11

 

Todos os dias

as mãos se lhe enchiam

de luas e pães

comprados no café da esquina...

 

Eles, os pães,

porque as luas lhe nasciam

das asas dos pássaros

quando se demoravam

sobre as reflexões

e dos olhos

dos que se cansavam

de entender

 

Eram luas e pães multiplicados

pela soma das ausências,

mas eram

e ninguém negaria

a solidez da sua inexistência...

 


 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 07.01.2011 - 16.25h

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 16:22

HOJE NÃO É PARA TI

Quarta-feira, 05.01.11

 

Não, não é para ti

Que teço estas vogais e consoantes

Nos intervalos da respiração das sílabas

Nem para ti

Os silêncios compassados

Por ditongos musicais


Nunca para ti

Que perscrutas a mole humana

Com a vontade gélida

Das ferramentas de laboratório,

Com os ouvidos infalíveis do diapasão,

Com os olhos vítreos do microscópio


Hoje escrevo para os que virão,

Para os que todos adivinhamos

Mas não podemos ainda dissecar

Porque se conjugam num tempo

Que está por nascer


Hoje não trago palavras;

Só a certeza

De que a preocupação

Com a excessiva proporcionalidade

Conduz à pobreza do kitsch

 


… e isso nunca foi para mim

 

 


Maria João Brito de Sousa -04.01.2011 -23.11h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:55








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