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BREVES PEIXES DE ESCAMA CADUCA

Quinta-feira, 31.03.11

 

Nós, os de olhos reclusos

Num infinito demarcado por metas,

Breves peixes de escama caduca

Na copa vítrea de um sonho qualquer,

Mordendo ilusões de um pomo menor,

Pontuamos, tão só, pela diferença

De impulsionar as barbatanas

Sabendo

Que poderíamos escapar

Mas que jamais o quereremos fazer sozinhos

 

Nos dias roubados às noites de insónia,

As coisas sésseis,

Que não mexem,

Nem deixam de mexer

- coisas sonhadas, de motilidade hipotética –

Impulsionam-nos mais e mais,

A nós,

Breves peixes de escama caduca

De olhos reclusos num infinito

Pré-determinado por um sonho

Que sabemos construido

Sobre cada uma

Das nossas escamas

 

 


 

Maria João Brito de Sousa – 31.03.2011 – 09.53h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:01

SEPARAÇÃO - em quatro andamentos

Quarta-feira, 09.03.11

1 - Davam-se as mãos

     E largavam-nas

     Na impaciência de um gesto recorrente

 

2 - Voltavam a unir-se

     Pontualmente

    Na urgência de uma chama qualquer

    E logo se desuniam

   Como se ela os queimasse

 

3 - Cada vez mais recorrentemente

     Se impacientavam

     E as mãos desafiavam as leis da Matemática

     Multiplicando-se em desuniões

     Sem que chama alguma as tivesse unido

 

4 - Deixaram de unir as mãos

     Quando perceberam

     Que a chama apagada

     Queimava mais ainda

     E nenhuma impaciência sugeriu

     Que pudesse acender-se de novo

 

 

 

Maria João – 05.03.2011 – 16.52h

 

 

 

Imagem retirada da internet

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:30

ESCOVO-ME...

Segunda-feira, 07.03.11

 

Que hei-de fazer de mim?

Venho de um qualquer mundo

Que não consta

No Mapa Astral da humana inspiração

E cobre-me este pó de sonhos

Que tento

E não consigo escovar bem…

 

Talvez seja defeito da escova

Que engendrei,

À falta de melhor,

De uns restos

Da ansiedade que encontrei por aí

Pendendo

Como limos de um mar que nunca aceito

E amarrei

A um cabo de incertezas

Que perderam o prazo de validade…

 

Mas que me importa

A eficácia do artefacto

Se nem sequer vislumbro

A origem da poalha que me cobre?


 

E escovo, escovo, escovo, escovo…

 

 


 

Maria João – 05.03.2011 – 16.20h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:38

V.V.G.

Quarta-feira, 02.03.11

 

Bebeu-o um sonho qualquer

E, pouco a pouco,

Começou a entender

A linguagem de todos os silêncios

No  discurso temível do Mistral

 

Peça a peça,

Cada vez menos uno,

Indistinguia-se da linha imaginada

De cada horizonte

Em que houvesse,

Pelo menos,

Três árvores de folha perene,

Um céu manso de porcelana azul,

Um girassol

E um homem capaz

De olhar para dentro de si mesmo


 

Era,

À força de não ser coisa nenhuma,

Aquilo que sentia através da cor.

 

 


 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.03.2011 – 23.25h

 

 

 

 

Digo Eu; A Arte não se quer uma coisinha suave, alegre e politicamente correcta. A Arte quer-se em vendavais, em erupções da mais genuína criatividade.

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 16:06








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