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BRADO

Quinta-feira, 27.09.12

Cresce puríssimo,
forte, ininterrupto,
claríssimo nas mãos imaculadas pelo uso
(porque apenas o uso lhes confere
a transparência das grandes, invencíveis compulsões)

Sábio, porque justo,
floresce, rompendo o húmus das palavras
ao dar-lhes o sentido de todos os sentidos
na lucidez dos que albergam paixões indomáveis

De todos nós
porque se sobrepõe a cada uma das nossas vontades,
se multiplica nas veias da terra
e se mistura à lava dos vulcões que vamos sendo

Não será detido
nos becos do receio,
nem ave nenhuma voará mais alto
do que esse eco
que
o vento,
zunindo,
transporta consigo
desde o mais profundo da nossa justíssima revolta

límpidas crescem as sílabas
que se desnudarão na invencibilidade do nosso brado!

 

 

Maria João Brito de Sousa - 27.09.2012 - 01.53

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:37

NASCE, POESIA!

Terça-feira, 11.09.12

Porque o que sou

me não cabe nas mãos fechadas,

escorrem-me,

por entre os dedos,

estas sobras

do que recuso transformar

em gesto de troca,

artigo de compra e venda,

alimento, embriaguez, culto, ritual

 

e  que és tu, Poesia.

 

Divinizam-te, alguns,

o corpo que não tens

no altar que insistes em não ser,

mas sei-te no cerne de todas as coisas,

escorrendo inevitavelmente

de todos os poros, por todas as frestas,

limpa, lúcida, viva, inexplicada…

 

Cantas, ainda,

onde a esperança morreu,

ressoas no vácuo, apesar de inaudível,

desdobras-te

em invisibilidades e vislumbres,

acendes-te, sublime,

no temor de cada escuridão.

 

 

Inútil, ou não… nasce, Poesia!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 11.09.2012 -01.53h

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 02:04

METÁFORA - O Manifesto

Segunda-feira, 03.09.12

Eu digo-te

que o sol floresce limpo

sobre o estrume das aparências

e que as palavras são casas nas cidades da voz

 

digo-te

que as ruas são mãos a repousar,

que as coisas de pedra são canções

e que as canções são luas, de tão brancas…

 

dir-te-ei,

vez por outra,

que as plantas são mulheres e homens

cansados da colheita improvável,

que os dias – todos eles –

são movimento,

que as noites são o esconderijo

dos sonhos à espera de acordar

e que os muros são pontes entre agora e depois

 

falar-te-ei de passos sem distância,

de espaços sem medida,

de memórias sem tempo

e de gente sem medo de morrer,

mas jamais me ouvirás falar de renúncia

enquanto o murmúrio me for permitido

na cidade da voz libertada

 

Também a metáfora se come, se bebe

e não sabe render-se enquanto viva

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 03.09.2012 – 18.12h



Imagem retirada do jornal "Avante!" - Guernica, Pablo Picasso

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 19:07








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