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MEMÓRIAS

Sábado, 02.02.13

 

Nessa noite

uma lua prenha,

rodando tão devagar

que qualquer olhar lhe atribuiria  

a imobilidade do grafismo impresso,

deixou que  uma nuvem cinzenta a tapasse

 

depois,

sobre o louceiro da sala,

no aquário dos sonhos  antigos,

um novo e inesperado peixe incolor

foi-lhe devolvendo a memória dos “crayons”

até que a insubmissão de uma mão imaginária

os quisesse e soubesse ressuscitar na vontade dos dedos

 

fazia tanto frio

na floresta das cores

onde as horas, como agulhas,

lhe apontavam as conchas vazias

de mil gestos sem esperança de fruto…

 

mas bastou

que esse peixe

se agitasse levemente,

que uma palavra

espelhasse a cor da nuvem,

que as invisíveis raízes

suportassem o inevitável tronco,

que o impensável cilindro

se alongasse em ramos impossíveis,

que as velhíssimas memórias

se metamorfoseassem em folhas improváveis

 

para que

a substância do fruto

se viesse a tornar tão real

quanto aquela absoluta urgência

de o ouvir cantar por dentro da novíssima criação

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 02.02.2013 – 18.09h

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 18:57








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