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O DOM DA PERMANÊNCIA

Quarta-feira, 30.04.14

 

A mulher recebe.

Firme como a rocha,

Recebe

Exactamente

Quem mereça ser recebido.

 

Ainda não é velha…

Mas parece

(digo; APARECE…)

 

Cabelos mais sal do que pimenta,

Olhar que amedronta

Exactamente

Quem mereça ser amedrontado,

A mulher

Aguenta-se sozinha,

Canta,

Resiste,

E escreve

Movida a coca-cola

(digo;

COLA DIET,

marca branca,

sem açúcar, nem cafeína)

A ESCOLHA ACERTADA

(diz a Deco,

Digo; o ECO)

 

A mulher é como os gatos;

Paciente e indomável,

 

Como as muralhas;

Dura e inexpugnável,

 

Como as árvores;

Firme e produtiva.

 

Persiste,

Cria raízes,

Firma-se-lhe o tronco,

Multiplica-se em frutos

POR MAIS QUE

AS HORAS MORRAM DEVAGAR!

 

Não se gasta,

Gasta à vontade

(digo; A VONTADE)

Acende e mata

O suave português

(digo; PORTUGUÊS SUAVE...

AZUL, SE FAZ FAVOR!)

 

Veste-se

Como se se não vestisse

E invade as ausências

Com inquietante quietude.

 

A mulher está.

Está a mais,

Está demasiado,

Incomoda.

 

 

Pontual,

A mulher sai…

Mas permanece.

(digo; FICA!)

 

 

Maria João Brito de Sousa – Janeiro 2000

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 20:49

PLASTICAMENTE ARTISTA - Pretéritos quase perfeitos

Domingo, 27.04.14

 

Era

(uma)

fêmea decana

de pêlo raso

e cauda geneticamente recolhida

que escrevia telas

e pintava poemas

com a lentidão própria

dos seus cinco doridos milénios

 

Ora na horizontal,

ora dobrada em ângulo

(recto)

sobre os quartos traseiros,

cantava de quando em quando,

muito de quando em vez,

como se a semente da verdade

que (ainda) oculta

no ventrículo esquerdo,

se vestisse de quartzo

e movesse ponteiros

sensíveis (ou não)

 

 

Nasciam-me asas

de porcelana azul-cobalto

sempre que

mordiscava sonhos

ou bebia palavras

no café da esquina…

 

 

Maria João Brito de Sousa – 2005/6

 

Nota – poema ligeiramente reformulado nos tempos verbais.

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:30








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