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POST SCRIPTUM

Segunda-feira, 30.11.15

seixo rolado.jpg

 

Poderia,

claro que poderia

conceder-me,

de quando em quando,

a textura suavíssima da seda,

o rebuscado colorido da cauda do pavão,

o verso liquefeito nos preciosíssimos licores

que nunca chegam

aos lábios de quem moireja a terra

onde o chão pouco mais oferece

do que a haste sequiosa

das altivas torgas...

 

Poderia,

poderia sim,

procurar na gratificação pessoal

a doçura anestésica do ópio,

o requinte da fragância mais rara,

o aplauso ocasional e gratuito,

o beijo fácil da simpatia caritativa,

o brilho do néon

que ofusca a borboleta

e invariavelmente queima

quantas asas germinem nos casulos...

 

Poderia,

sei que poderia,

adornar-me de pérolas, topázios e diamantes,

 

Mas...

por que o faria

quando um seixo rolado

se me afigura infinitamente mais belo?

 

Post scriptum;

 

Quem me compra

este dilúvio de (in)certezas

por um punhado de versos rolados?

 



Maria João Brito de Sousa - 30.11.2015 17.17h

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 17:36








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