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PEQUENOS LUXOS

Terça-feira, 22.11.16

Pequenos luxos.jpg

 

Nenhum medo,

mas todas as formas de o negar

vinham bater-lhe à porta naquele dia

pintado de fresco.



Havia ainda

o pormenor rústico

da inesperada lata de grão-de-bico

que

(por mero acaso)

encontrara na despensa em desalinho

(e)

havia

o requintado rancho-fingido

que efectivamente fingira cozinhar

sobre a única boca do fogão desmantelado

(e)

havia

a gata,

bêbeda de sol,

espreguiçada nas lonjuras da marquise,

longe do desconsolado consolo dos livros cobertos de pó

(e)

havia

aquelas paredes transpiradas

que sempre vestira como a uma segunda pele

(pequenos luxos, enfim...)



O galope ritmado,

imparável,

do decassílabo heróico,

esse,

voltará



Nunca sabe quando,

mas sabe

que um dia voltará,

grávido de som,

pujante, indomável,

a galgar as planícies de oiro do poema.



Não baterá à porta,

nem se fará anunciar.

 

Jamais um galope selvagem

se poderia fazer anunciar.





Maria João Brito de Sousa - 22.11.2016 - 18.56h

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 19:25








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