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ALÍNEA M

Segunda-feira, 05.10.20

al´nea M.jpg

Alínea M

*


Confusa,

julgo ter acordado

ao lado de uma Natália

ainda  incompletamente diluída

no esquecimento de um qualquer sonho

que me não recordo de ter sonhado

*

Só essa estranha sensação,

mais do que memória

mas ainda distante do palpável

teima em reocupar um lugar

num tempo e num espaço

a que há muito deixou de pertencer.

*


Agora debruço-me da janela,

creio ver decompor-se o mito de Medeia

na terra adubada da floreira do vizinho

e não, não posso jurar que esteja acordada,

Tudo se me enevoa diante dos olhos.
*

 

Piso finalmente o chão

e ergo-me do sonho

depois de despidas as ilusões.

*

Nenhum ouro,

nem sombra de alquimia;

Medo não nasceria dessa matinal estranheza.
*

 


Maria João Brito de Sousa - Outubro, 2020

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:02








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