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DESCAMINHOS

Sexta-feira, 10.07.09

Depois de perdido

No labirinto dos olhares do mundo,

Arrancado aos eixos de um tempo linear,

Afogado nas horas disfarçadas de azul-celeste...

 

Depois de devidamente

Arrancadas as raízes,

Podados os ramos do sentir,

Colhidos os frutos que podiam ser úteis,

Apontaram-lhe

O caminho politicamente correcto

Na direcção do cativeiro travestido de sorrisos.

 

Nesse mesmo dia,

Desenraizado,

Despojado de frutos,

Despido de sonhos,

Amputado de afectos

E devidamente encaminhado...

 

 

Aprendeu a voar por dentro.

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:58


4 comentários

De Simbologia do aMoR a 12.07.2009 às 01:46

Oi amiga Maria

Gostei do teu poema.
Já me ouve, descaminhos que voltaram a ser caminhados. ?Agradeço a quem me encaminhou. Só não queria que ficasse no anonimato.
Esse códigos em letras nem sempre são decifráveis.

Abraço.

De Maria João Brito de Sousa a 13.07.2009 às 15:49

Amiga, decerto te identificaste com algumas das ideias que expresso neste poema, mas não é exactamente um poema de leitura imediata e linear. Se houver códigos - por estranho que pareça, a criação poética pressupõe o uso de códigos pessoais - não foram propositadamente utilizados para dar um retrato de ninguém que eu tenha conhecido na blogosfera. Mas a verdade é que este tipo de poesia não é tão inteligível quanto a do poetaporkedeusker.
Abraço grande!

De Simbologia do aMoR a 14.07.2009 às 03:34

Às vezes também uso códigos pessoais. Por isso algumas pessoas não entende o que escrevo e dizem que estou louca ou mesmo doente mental. Assim disseram também a Pitágoras. E olha que ele era um gênio!

Abraço.

De Maria João Brito de Sousa a 14.07.2009 às 11:37

Eu sei que sim, amiga. Tanto a prosa como a poesia são transmissões de códigos pessoais e afectivos, por isso nem sempre são muito lineares em termos de compreensão. O mesmo se pode dizer em relação a todas as outras formas de arte. Essa é uma das razões que me leva a deixar-me fascinar pela deformação da imagem, na pintura. Admiro o retrato, mas nunca serei uma retratista clássica. Nunca o fui, mesmo quando era ainda criança... gosto de pintar e desenhar o que está muito para além do que os olhos nos transmitem. 99% das minhas figuras humanas nascem-me do nada. Crio-as, não as copio. Ou então represento alguém segundo o que essa pessoa me transmite emocionalmente e não faço uma reprodução fiel dos seus traços.
Olha, eu retirei os meus contactos do perfil, pois fui aconselhada a fazê-lo por um amigo. Normalmente não sigo os conselhos de ninguém - mea culpa... sou teimosa... - mas este amigo merece-me muita confiança e eu já andava a "desobedecer-lhe" há um ano...
Abraço grande.

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