Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



DISMORFIA BUROCRÁTICA

Segunda-feira, 14.09.09

Amorfos cidadãos articulados

Em desesperos subtis ou aparentes

Na assinalada divisão dos espaços.

 

Desarticulam-se, depois,

Na urgência da saída

Com travos de salvação,

Apenas e tão só por ser a fuga.

 

Multiplicam-se em dados e papéis,

Dividem-se em razões que nunca alcançam,

Desesperam de uma esperança

Que jamais teve fundamento.

 

Antes a não tivessem farejado

Naquele lugar de palimpsestos

Tecidos sobre a trama

De cadáveres de coisa nenhuma…

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:01


10 comentários

De M.Luísa Adães a 19.09.2009 às 11:19

Lindo poema,

na complexidade de quem ama

de quem espera

e desespera,

por não saber esperar!

beijos,

Maria luísa

De Maria João Brito de Sousa a 21.09.2009 às 11:30

Confesso-te que é uma das coisas que mais aflição me faz, a burocracia, a sua lentidão e complexidade, as inevitáveis falhas nas articulações... enfim.
Um grande abraço!

De M.Luísa Adães a 21.09.2009 às 11:36

Merece muito mais, mas me parece que as pessoas se inclinam
para o poetaporkdeusker por ser o mais conhecido.

Eu tenho um blogs no google, um link para lá chegar no prosa-poetica
e ninguém clica no link.
Então, tenho meia dúzia de anónimos e dois conhecidos que lá vão
comentar o pouco que escrevo.

Com estes acontece o mesmo! As pessoas inclinam-se para um único
e daí não saem!

É a razão da falta de visitantes.

Não é por ser melhor ou pior - vão em fila, onde todos vão. Vêm só a
fila.
Assim actuam as multidões!


Maria luísa

De Maria João Brito de Sousa a 21.09.2009 às 11:43

Tens razão, deve ser isso mesmo... eu mesma não tenho visitado o teu blog da blogspot... bem, eu praticamente não tenho feito visitas. Já não consigo gerir tão bem o tempo, tudo parece andar mais lento... parece que sou rápida a teclar... vá lá... deve ser a única coisa em que sou rápida! De manhã levo sempre imenso tempo para tomar o duche e tratar dos oito animais... bem sei que os pombos exigem muito tempo pois as gaiolas têm de ser mudadas e limpas e um deles, a Pitinha, tem de comer no bico pois não consegue alimentar-se sozinha...
Abraço grande!

De Saltadouro a 21.09.2009 às 14:09

Não me imagino a viver numa sociedade sem regras e papeis apesar de gostar, de vez em quando, de quebrar tudo e entrar na anarquia.
O homem tanto burocratiza que às tantas transforma-se ele mesmo em papel ou digital!

Seria bom que as sociedades modernas se voltassem para as origens!

De Maria João Brito de Sousa a 21.09.2009 às 14:37

É verdade, amigo! Eu tenho de reconhecer a necessidade das regras e até de alguma burocracia, mas tanto assim??? Para cúmulo da desgraça, tomo um medicamento que me obriga a estar sempre sujeita a ela... e, ainda por cima, sempre atenta. O medicamento tem imensas interacções arriscadas, até mesmo com os mais comuns produtos alimentares ou com coisas tão simples como as variações metabólicas normais no dia a dia do ser vivo. Desculpe, mas saiu-me este desabafo todo! Claro que eu poderia nem o tomar, mas ficaria totalmente responsável pela minha situação clínica, o que não é lá muito aliciante...
Abraço!

De eva a 22.09.2009 às 16:04

Gosto mesmo muito destes poemas. São de teia mais complexa que os sonetos mas são muito belos.
Tenho de me habituar a fazer a agulha também para este lado.
Abraço GDE

De Maria João Brito de Sousa a 22.09.2009 às 16:08

:) Obrigada, Eva! Estes não nascem exactamente como os sonetos... por tudo e por nada! São mais demorados, só aparecem de vez em quando e em determinados estados de espírito que são agradáveis, na sua maioria, mas que ainda nem consegui definir muito bem. Terei muita honra em tê-la por cá!
Abraço GDE!

De Alzira Macedo a 02.10.2009 às 11:26

Por mero acaso vim cá parar...
Nem bilheteira nem coisa alguma foi logo pela porta....
quanto á burocracia Portuguesa...
Está de mal a pior, mesmo enervando com o nosso país funciona,
Quando infelizmente tenho de tratar de algum assunto pego o meu mal em paciençia e entao fico a analizar os funcionarios publicos...
Meu Deus que desgraça, Mal encarados, mal humurados e incompetentes...
Tem regalias e vantagens pago pelos nossos impostos....
e o zé povinho quando lá vai tem de falar baixinho senao leva um respanete que até fica atorduado....
Depois o mais engraçado é quando recebes os documentos e contem erros....
Resposta dos funcionarios " A senhora nao se exprimiu como deve de ser, agora tenho de recomeçar"
Nao sou mesmo violenta, mas nesses casos é mesmo só á chapada....

huffff que faz bem aliviar um pouco...
bjs

De Maria João Brito de Sousa a 02.10.2009 às 11:39

:)) É isso mesmo, Alzira! Faz bem desabafar um pouco...
Eu, tanto quanto me recordo, fiz exactamente isso neste poema! Desabafei! :)) Quando o li, passado algum tempo, achei-o um bocado agressivo... mas já estava! Nasceu debaixo do efeito de um momento e sempre foi melhor eu desabafar no poema do que arranjar uma briga com alguém... :))
Abraço! Vou tentar visitar o teu blog, mas estes computadores, hoje, estão fartos de me pregar partidas... até eles têm manhas burocráticas! :))

Comentar post








comentários recentes