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A PASSAGEM DE NÍVEL

Quarta-feira, 16.12.09

A menina de vestido azul

Avança dois passos à minha frente.

O horizonte termina na linha do comboio

Que descortino subitamente.

 

A luz vermelha acende no preciso momento

Em que a menina de azul

Pisa o primeiro carril.

 

Grito, aceno, alerto,

Mas ela não me ouve.

 

O comboio passa e a menina permanece

Apesar dele, dos acenos e dos gritos.

Apesar da luz vermelha…

 

Sou eu quem não está lá,

Naquela inexistente passagem de nível

Onde acaba a linha do horizonte.

 

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 13:58


8 comentários

De Pedro Tortuga a 05.01.2010 às 22:47

Falará de como acrescentamos, pela complexidade do ser, problemáticas inexistentes(medo, desesperança, ansiedade) à realidade pura?

De Maria João Brito de Sousa a 06.01.2010 às 12:37

Sim, Pedro. Vou-lhe contar uma coisa que nem sempre as pessoas entendem; eu produzo muito em termos poéticos... tanto que, por vezes, esqueço-me completamente da génese de determinado poema que escrevi. Também acontece não ser eu o sujeito poético de determinada peça. Pode ser alguém em quem eu pressenti uma angústia, uma alegria, uma cumplicidade... outras vezes um pedacinho do meu tempo vivido que subitamente se condensa em meia dúzia de palavras. Sei que sempre vivi muito ligada aos comboios da CP, na linha do Estoril. Fiz o liceu todo ao longo do troço que nos leva de Algés a Oeiras... não sei explicar porquê, mas é como se aquele percurso fosse um pedaço palpável da minha vida... na verdade já me nem recordava minimamente deste poema. Foi isto mesmo que veio à minha mente, ao correr das teclas, assim que o li. Mas estou lá, algures. Há por lá ADN do meu... :))
Abraço grande!

De Pedro Tortuga a 07.01.2010 às 20:17

Compreendo agora melhor o que no carril ficou. Obrigado por partilhar a essência motivante que a levou àquelas palavras.
Quanto à intersubjectividade como porta para a escrita nunca tinha sido assaltado por tal, pelo menos na sua forma mais lata. Abre muitas portas.
Sempre um prazer partilhar impressões.
Abraço.

De Maria João Brito de Sousa a 08.01.2010 às 10:56

É capaz de ser mesmo isso, Pedro! Parece-me que, na grande maioria das vezes, é mesmo essa intersubjectividade que me faz escrever:)
Obrigada e abraço!

De Fisga a 09.01.2010 às 16:55

Olá minha querida amiga Maria João. Antes de mais nada desejo-te que estejas melhor das tuas macacoas, Quantas vezes, melhor seria nunca termos adormecido, a estarmos diante de uma irrealidade, que Por ser irrealidade não é por isso menos dura, e tormentosa. Abraço forte. Eduardo.

De Maria João Brito de Sousa a 11.01.2010 às 13:50

Tens razão, amigo... mas isto não é exactamente um sonho... ou, se o é, é muito antigo e eu já não tenho consciência dele. Sei que o poema me nasceu sem eu saber exactamente porquê...
Abraço grande!

De Fisga a 12.01.2010 às 19:34

Olá minha querida amiga João. Dou-te os meus parabéns, pela tua capacidade e inspiração, pois eu pensei que o poema tinha a base da sua existência assente num sonho teu. Ou melhor num pesadelo. Espero que agora estejas muito melhor das tuas macacoas, pois já é tempo de gozares umas feriazinhas. Um grande abraço deste teu amigo Eduardo.

De Maria João Brito de Sousa a 13.01.2010 às 12:29

Já estou melhor, obrigada. Hoje tenho é um dia muito cheio de compromissos... sou capaz de te não conseguir visitar... só se for logo, ao fim da tarde.
Um grande abraço!

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