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A INVENÇÃO DOS ÓCIOS

Quarta-feira, 19.05.10

Os ócios,

Se os tivesse,

Pintá-los-ia do amarelo da manteiga

E derretê-los-ia,

Lentamente,

Entre a língua da caneta

E o palato do papel

 

Depois,

Se os tivesse, repito,

Trabalhá-los-ia à exaustão das horas

 

Não sei como,

Então,

Lhes chamaria,

Mas sei que o amarelo se decomporia

Numa remota hipótese de verde

Que não o do trevo 

E muito menos o da esperança.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 18.05.2010

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:37


2 comentários

De a 19.05.2010 às 18:44

Ócios... Isso não é para nós. Apenas se fossem "pintados de amarelo manteiga e derretidos entre a lingua da caneta e o palato de papel".
Lindo este poema.
Ando a pôr a leitura em dia, depois de uns poucos dias afastada e encontrei por aqui, como sempre aliás, sonetos e poemas lindissimos.
Beijinhos

De Maria João Brito de Sousa a 20.05.2010 às 10:46

Obrigada, Fá. Já vou espreitar o "cantinho da Bó Fá" para ver como vão esses dias dos pequenitos.
Bjo!

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