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A CHUVA E O GATO NEGRO - 1958

Sábado, 15.03.14

 

É meia noite
Que ninguém se afoite a ir à janela!

 

A chuva cai, cai
E ai dela...

 

A chuva cai, cai
E vai perder-se no telhado
Onde morava o gato negro e esfomeado...

 

A chuva cai
Em pingos amargos e de dor
E tudo molha, e tudo estraga ao seu redor...

 

A chuva cai
E o velho gato negro esfomeado
Cai morto no telhado...

 

Mas eis que o dia chega
E tu, ó noite, vais
E o velho gato negro vai pr`ó céu dos animais...

 

Agora a chuva já não cai...
E o velho gato negro?

 


Já não se ouve o seu miar
Porque o velho e negro gato
Já tem onde morar.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 1959 (sete anos)

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 13:20


4 comentários

De poetazarolho a 15.03.2014 às 17:34

Já muito avançado para a idade, gostei,

Já não se ouve o seu miar
Porque o velho e negro gato
Já tem onde morar.

De Maria João Brito de Sousa a 15.03.2014 às 22:11

... por essa altura, Poeta, muito passavam os adultos comigo! Não fazia grandes pedidos, não tinha birras, não dava muito trabalho... o pior era convencerem-me a não levar tudo quanto era cão ou gato lá para casa... se fosse preciso recorrer à poesia para o conseguir, fazia-o...

De jabeiteslp a 16.03.2014 às 08:46

Sentido e presente esse teu versar
já com 7 anos no olhar...


Um belo e radioso Domingo

De Maria João Brito de Sousa a 16.03.2014 às 14:01

Obrigada, Anjo!

Um radioso Domingo também para ti!

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