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NESTE DIA...

Domingo, 04.05.14

 

 

No dia que começa,

venho dizer-te bom-dia

e redescobrir-te o sorriso

na memória das sardinheiras,

quase murchas,

mas ainda vermelhas

nas conchas de barro em que as plantavas

 

Venho,

neste dia de memórias,

lembrar-te, mais uma vez,

que te amo e,

agora que não sei se és nem onde és,

confessar que sempre te considerei

demasiado rendida à superfície das coisas,

alheada das raízes do tempo,

 

presa ao lado de cá

das janelas de onde brotam os sonhos

que transcendem a luta pelo abraço imediato

 

Mas isso era eu…

eu quando,

pequenina como as sardinheiras,

enlaçando uma raiz sem tempo,

desprezando todas as janelas,

me esquecia,

 - também eu e até eu! -

de não poder julgar-te

porque, afinal,

eras tu quem as plantava sorrindo,

sem suspeitar, sequer,

de que pudessem render-se e murchar…

 

Hoje,

dia da criança,

dia em que não sei se és,

nem onde és, mas não esqueço que foste,

uma lágrima, só uma, como tu,

que tanto temias a morte

e te deixaste levar

antes de teres podido aprender

o segredo das flores que aceitam

abraços de um tempo por trás das janelas,

muito depois da superfície das coisas - tantas! –

que nunca chegaste a descobrir

 

E resta-me,

vermelho como as sardinheiras,

o teu sorriso espelhado na vidraça,

enquanto,

nesta lágrima tão única como tu,

tão enraizada quanto o tempo,

hoje como dantes, Mãe,

teimo em (d)escrever-te para além da espuma das coisas

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.06.2011 – 09.29h

 

Reformulado em 04.05.2014 a partir do original de 2011

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:51


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