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POEMA A UMA RESISTÊNCIA PESSOAL

Terça-feira, 11.03.14

 

… e, às vezes,

tantas vezes de aço vivo,

esta dureza vítrea em que me embrulho,

este trajar de fraga

de alto a baixo,

este mergulho em mim

negando laços

e este dizer que não quase a rugir…

 

um dia

- um qualquer, eu sei lá quando… -,

o bicho em mim acordará estremunhado,

esquecido da espada e da armadura,

e refar-se-á nos sorrisos e abraços

que hoje não toleraria

 

Porque

só assim uma vida se cumpre,

o sol brilhará quando for tempo disso

e o corpo aprenderá a tolerar tanta invernia

 

Até lá, porém,

a luta continua

e, de alguma estranha forma,  

os órgãos, um a um, persistem

nesta estranha/inaudível surdina

onde nem um pretenso mago cairia

na absurda tentativa/tentação de adivinhar

que rumo, que áspera textura ou qual a dimensão

da densa/dura crosta que todos os golpes pressupõem

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 27.12.2013 – 18.15h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 13:40








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