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SEM MEIAS-TINTAS

Domingo, 20.05.18

 

Eram simpáticos,

medianamente simpáticos

nos seus cumprimentos

e nos seus sorrisos

mais ou menos artificiais,

mais ou menos impostos,

mais ou menos convenientes

 

Ele,

a partir desse dia,

aborrecera

flores, lacinhos, veludos e doirados…

aborrecera os meio-doces

rebuçados de hortelã-pimenta,

as meias-criações,

as meias-paixões,

as meias-convicções

e todas as meias-tintas

que perturbassem

o canto genuíno do melro,

o uivo do lobo absoluto,

o rosnido do lince interior

 

Sequóias!

Ainda se lhe dessem sequóias

de raiz presa à terra

como as vozes dos deuses menores…

 

Ainda se lhe dessem

esses arranha-céus de fibra e floema

que aspiram aos longes dos astros

mais ou menos longínquos 

e lhe renovassem a promessa

de ascender com eles…

 

Mas tudo o que se lhe cumpria

eram aqueles meios sorrisos,

aqueles rictos e rituais

mais ou menos postiços

que afirmavam

agradar ao Deus sem tamanho

a quem atribuíam

todas,

todas as autoridades,

 excepto a de aborrecer

as meias-genuinidades

 

 

                                                             Maria João Brito de Sousa – 07.04.2010 – 19.00h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 18:17


1 comentário

De Maria Elvira Carvalho a 18.09.2018 às 14:43

Gostei de ler.
Queria agradecer a sua gentileza e informar que o seu nome já está na galeria de poetas femininas(acredita que gosto mais de dizer poeta, do que poetisa? Parece-me que a poesia não tem sexo, poeta é poeta, e poetisa, soa-me a qualquer coisa menor. ) que é o meu blogue Estive indecisa entre aquele soneto, de que muito gostei e o poema "Cada poema" que me encantou.
Um abraço e mais uma vez obrigada

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