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HERANÇA

Segunda-feira, 17.03.14

Avô,

Porque me deixaste

Tanto tempo antes de partir de verdade?

 

Nenhum de nós tinha na mão a tua sorte

E se algum dia te desejei a morte

Foi para te libertar duma vida estagnada,

Para que procurasses a Sereia Encantada,

O Anjo Azul que te convidou para jantar,

A Ilha Deserta que, enquanto vivo, não pudeste encontrar…

 

Dos piratas malaios com quem brincavas

Em menino

Deixaste-me a cor da pele,

O negro dos cabelos

E o longo olhar felino…

 

Sempre que embarco na tua Jangada de Luar,

Oiço as ondas que me pedem contas

Das tuas rimas vivas como o mar,

Desses teus versos líquidos, salgados

E

Só sei responder-lhes

Que te vi partir de olhos fechados

Que, de ti,

Só sobraram

Os meus pobres poemas naufragados

Numa praia de areia calcinada

Onde me encontro com os mortos que voltaram

Pr`a virem perguntar-me da tua morada…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 1992

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 21:11

NÃO ACREDITO!

Terça-feira, 11.03.14

 

 

Não acredito,

mas sei,

que há almas transparentes como o ar,

que há sereias e tritões

no mais profundo do mar

e que as fadas,

às vezes,

me vêm visitar...

 

Não acredito,

mas sei,

que a morte é uma fronteira

e,

logo a seguir a ela,

mora a vida derradeira...

 

Não acredito,

mas sei,

que há bruxas, gnomos, duendes,

que vêm repreender-me

por viver tão alheada

dessa realidade alada, virtual, imaginada,

mas que está sempre presente...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 1992

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:43







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