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NÃO ACREDITO!

Terça-feira, 11.03.14

 

 

Não acredito,

mas sei,

que há almas transparentes como o ar,

que há sereias e tritões

no mais profundo do mar

e que as fadas,

às vezes,

me vêm visitar...

 

Não acredito,

mas sei,

que a morte é uma fronteira

e,

logo a seguir a ela,

mora a vida derradeira...

 

Não acredito,

mas sei,

que há bruxas, gnomos, duendes,

que vêm repreender-me

por viver tão alheada

dessa realidade alada, virtual, imaginada,

mas que está sempre presente...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 1992

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:43

PARA TE AMAR, POEMA...

Segunda-feira, 24.12.12

- Nenhuma montanha

será demasiado alta

para te amar, poema,

para te amar, tão só…

 

e decido-me a deixá-lo tombar…

 

Na queda se confundem

flor e pássaro,

tempo e modo,

metáfora e urgência real de não chegar ao fim

 

Porém,

tudo não dura mais do que a palavra

que,

num súbito recuo,

decido não deixar cair…

 

Salvo “in extremis”,

no segundo imediatamente anterior

ao impacto derradeiro,

devolvo-o às asas a que sempre pertenceu

e enfrento,

mais só do que nunca

porque consciente e lúcida,

o maior de todos os riscos

no suave declive das banalidades…

 

É tempo de dormir.

Amanhã será um novo dia

para te amar, poema, para te amar, tão só…



 

 

Maria João Brito de Sousa – Poema manuscrito a 24.12.2012 – 02.00h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:20

QUANDO?

Quarta-feira, 05.08.09

Não vivia como as mais das vezes,

Quando as palavras se lhe derramavam

Na fluidez dos ponteiros do tempo.

 

Procura-as, agora,

Na improbabilidade do que dispensara

No sempre de um espaço

Que persiste num ressurgimento

Ténue como um reflexo distorcido.

 

Sabe-se sem se saber

Na incompletude da sua memória.

Os acasos ficaram pelo caminho

Atrás do muro

Que nenhuma ponte, agora, atravessa.

 

Persiste, mas pouco.

Reconstrói quase nada.

Emenda-se constantemente.

Equilibra-se no desequilíbrio

Das fronteiras que surgiram contra-natura.

Hoje, porque amanhã…

 

Quando é?

 

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:14

HORAS ANTIGAS

Sexta-feira, 31.07.09

 

 

 

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Sobravam-lhe as horas

Noprolongamento do reflexo

Em indesmentível declínio.

 

 

Ali, onde os espelhos

Nasciam dos vidros das montras

E das poças de água nas calçadas

Descalças de sonhos,

Sobravam-lhe luas e amantes

Nos ambíguos desamores

De cada fim de tarde.

 

Amanhã seria tempo

De sobrarem mais rugas de expressão

Na expressão de todas as horas.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - Julho, 2009

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:54

QUASE, QUASE...

Segunda-feira, 27.07.09

Sobrevoam-se passeios e canteiros,

A alma a diluir-se,

De partida, por entre pedras, caules e outras gentes.

Alheia. Cada vez mais,

Quase, quase a terminar ali,

Onde os longes se fundem em nós,

Onde as ausências são omnipresentes.

 

Ali, onde quase, quase,

Se destilam sensações,

Onde quase, quase se sente a partida

Como se alguma coisa se pudesse ainda sentir,

Naqueles canteiros húmidos de indecisão…

 

Se se pudesse sentir,

Não estaríamos quase, quase de partida

Porque onde a partida quase, quase se sente,

Já tudo o mais deixou de ser sentido.

Ou quase, quase…

 

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:08

RESQUÍCIOS

Sexta-feira, 24.07.09

Invade, à noite, o palco dos sentidos

Uma memória turva e pendular.

Exumam-se palavras que sorriem

Na aridez de todos os passados

E silencia-se o sabor neutro

De um presente que desliza

Mais ou menos suavemente,

Conforme o sal do momento.

 

Cai o pano sobre as pálpebras do sonho

Assim que a lucidez exige o disparo das mãos.

Urbano, o Homem percorre as calçadas

De um tempo ainda insurrecto e mal adivinhado.

 

Como querias tu que eu te falasse

Dos passados que me foram subtraídos

Pela monotonia das horas previsíveis?

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 15:13

REALIDADE E REPRESENTAÇÃO

Quarta-feira, 22.07.09

Calcula-se no centro,

Traçado a compasso ou fio-de-prumo

Sobre o imenso planeta da sua indecisão.

 

Sente-se ali, no âmago

De todas as coisas perceptíveis.

 

Além, a vida continua,

Descontinuamente paradoxal,

Comandando cada caos a toque de sinapses,

Carbono e enxofre primário

No recomeço de cada concepção lunar.

 

A “cosa” tocada

- não a sua representação! –

Permanece e cala mais fundo.

 

Ah! A metafísica importância dos sentidos…

 

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:07

SÓ POR ISTO...

Terça-feira, 21.07.09

 

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 Só por lhes ter tapado os ouvidos

Como se a guerra tivesse acabado de morrer

 

E  ter seguido na perpendicular da minha sombra,

 

 

Só por este empeno de nunca ter tempo,

De ter uma vontade cujo leme encravou,

Cuja âncora ousei desprezar

Nos longes de um oceano de poemas,

 

Só por este medo de nunca ter medo,

Este (não) querer repousar na solidão de mim

Nas águas baptismais de um mar

Que ninguém ainda descobriu,

 

Só por esta trajectória espiralada

- de fora para dentro... -

Onde o tempo se projecta

Nas infinitudes da paz centrifugada

E nos cúmulos luminosos

Das nuvens do pensar,

 

Só por este morrer e acordar,

Acordar e morrer sem nunca saber

- de absoluta certeza, rigorosa

e cientificamente comprovada... -

Se as fronteiras se medem na solidez dos ossos

E na largura das carnes,

Ou na profundidade de um olhar

que (nem) todos entendem estar perdido...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 21.07.2009

 

 

 

 

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:33

MISTÉRIOS DE CANETA

Segunda-feira, 13.07.09

Nos cabelos das ondas,

Nos lençóis de areia,

Nas luas de papel

Que os dedos das horas

Recortaram, sem saber,

Nas estrelas que a maré semeia

De infinitos tentáculos,

Aí, percorridos os minutos, um a um,

Cristalizam-se os mistérios improváveis

De cada paixão por conceber

E nenhum sonho aceita os impossíveis.

 

A caneta, rolando,

Absolve a inevitabilidade de todas as mortes.

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 16:48

DESCAMINHOS

Sexta-feira, 10.07.09

Depois de perdido

No labirinto dos olhares do mundo,

Arrancado aos eixos de um tempo linear,

Afogado nas horas disfarçadas de azul-celeste...

 

Depois de devidamente

Arrancadas as raízes,

Podados os ramos do sentir,

Colhidos os frutos que podiam ser úteis,

Apontaram-lhe

O caminho politicamente correcto

Na direcção do cativeiro travestido de sorrisos.

 

Nesse mesmo dia,

Desenraizado,

Despojado de frutos,

Despido de sonhos,

Amputado de afectos

E devidamente encaminhado...

 

 

Aprendeu a voar por dentro.

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:58








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