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SEM TÍTULO

Segunda-feira, 24.01.11

 

Bebeu da fonte de outro medo

Esse menino

Que uma outra mãe

Pariu e embalou

Na teia azul, metálico segredo

 

Vive por um fio

Por um fio mataria

 

Toque-se o fio,

Vislumbre-se o segredo

E a teia azul transmuta-se em casulo

 

Assustado, confuso,

Cronos passa por ele sem o notar

 

Tagarelam os anjos noutro altar

E nem a Primavera o apontaria a dedo

 

Bebeu, colado à teia,

Bebeu do fio

Da fonte de outro medo

 

 

 

Maria joão Brito de Sousa - 1999

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:49

JUÍZOS

Quarta-feira, 15.12.10

 

Quando as mil gotas de água

da clepsidra

transmutadas em Tempo

nos julgarem

no tribunal

de um escólio já expurgado

virão,

dos muitos olhos que nos lerem,

juízos

mais ou menos razoáveis

que esse distanciamento proporciona

 

Nesse entretanto,

alguns nada verão

e os outros...

mil imagens desfocadas

por espelhos reflectindo o que contêm

 

 


Maria João Brito de Sousa – 15.12.2010 – 00.49h

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 11:47

CHÃO DE MIM

Quarta-feira, 17.11.10

 

Toco este chão

Com olhos de quem beija

E sei que não embarcarei

Mais vez nenhuma


Chão de mim

Em mutação constante

Que outra força

De mim te afastaria?


Constantemente o toco

Com mãos ocas de um nada

Que despejo

E depois recolho

Cheias de um tanto

Que só eu desvendo


Por isso sei

Que não embarcarei

Enquanto as mãos

Puderem sentir

E pressentir

O chão que me deu vida

 

 


Maria João Brito de Sousa

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:16

O ADIAMENTO DA SAUDADE

Segunda-feira, 07.12.09

Olho sem ver,

Vago olhar ligeiramente alienado,

Os ponteiros do meu relógio

Três minutos e meio adiantado,

Tica-taca, tica-taca,

Implacavelmente decidido

A não parar.

 

Olho sem ver

Mas vislumbro no vidro

Uma lágrima teimosa

Que deixei escapar…

 

Vislumbro

Uma saudade adiantada?

Atraso os ponteiros

Decididamente, devagar…

Retardo a hora

Mas não retardo o tempo

Porque era o tempo inteiro

De uma vida

Que afinal quereria retardar…

 

Sorrio àquela lágrima traída

E fico vagamente distraída

A atrasar, a atrasar, a atrasar…

Atrasando eu vou acreditando

Que o tempo, um destes dias

                                       Vai parar…

 

 

Na madrugada do conhecimento -1995

 

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 14:15








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