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PRONTO-A-COMER

Terça-feira, 26.04.11

 

Quando o dedo do tédio

me aponta as entranhas das coisas vazias,

esquivo-me ao derradeiro anzol

e devoro poesia.

 

Há sempre uma vertigem

quando a refeição

é um vislumbre de saudade

que agarro, tempero

mordo e saboreio

em gestos competentes,

convergindo na degustação das rimas

tantas vezes bravas,

amargas e ásperas,

colhidas nas margens do acaso,

sem forma, sem textura,

a saltar da previsível marinada da reflexão

para a combustão inevitável

da mastigação do primeiro texto que  me seduza

sobre a bandeja da fome imperativa

 


prato-poema

 

 …ou  rábula de um tédio

que nunca assombrará

as entranhas vazias

de uma saudade-coisa-aprisionada

por anzóis que a impedirão de ser provada

antes da assimilação do último dos versos

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 24.04.2011 – 17.48h

  

 

 

Imagem retirada da internet

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publicado por Maria João Brito de Sousa às 17:18







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